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Sabatina

João Luis dos Santos

Publicado aos sábados

19/06/2021

500.216

Nosso país nessa semana chegará a mais de 500 mil mortes devidas à infecção do coronavírus. Meio milhão de pessoas. Professor da USP, fundador da Anvisa, médico sanitarista, pesquisador e cientista Gonzalo Vecina Neto é taxativo: não era para chegar nesse número trágico e dramático de mortes no Brasil se tivesse na Presidência da República alguém com, no mínimo, sensibilidade e capacidade de ouvir as pessoas honestas que trabalham com a ciência da saúde. Diante desse cenário e da terceira onda da covid-19, o segundo país do mundo com mais mortes deve sofrer um aumento expressivo no total de vidas perdidas. “Dos quase 500 (mil óbitos) que nós já temos, uma parte é devida ao não-isolamento social, ao uso inadequado desses medicamentos que estão aí. Parte significativa das mortes que ocorrerem são devidas a quem não comprou a vacina. Tem nome e endereço. E a população precisa ter consciência disso”, advertiu Vecina sobre a negligência do Presidente Bolsonaro e do Governo Federal com as vacinas. “Todos os brasileiros que morrerem a partir de 2021 têm o endereço de quem os matou: mora no Palácio do Planalto. Se as vacinas tivessem sido compradas e aplicadas, em meados de maio nós teríamos derrubado a mortalidade”, já havia sentenciado o sanitarista no início do ano.

 

PROVAS PARA IMPEACHMENT

Falando nisso, a CPI da Covid já reuniu provas capazes de apresentar incriminação contra o presidente Jair Bolsonaro e outros agentes públicos. A opinião é de Mário Scheffer, especialista em saúde pública, professor da Faculdade de Medicina da USP e autor do blog Diário da CPI, no portal do jornal O Estado de S. Paulo. “Parece que já existem provas suficientes para futura incriminação de agentes públicos e do Presidente. Mas alguns juristas pensam que as relações entre causa e efeito ainda precisam ganhar mais consistência”. Segundo ele, será relevante o levantamento aprofundado que a CPI encomendou a juristas e pesquisadores da área do Direito, que será liderado pelo professor Salo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo do estudo é relacionar os crimes que podem ser imputados a Bolsonaro por ações e omissões no combate à pandemia da covid-19. É o caso de desinformação e escolhas administrativas deliberadamente equivocadas. E também que penas podem ser atribuídas ao presidente e outras autoridades consideradas responsáveis pelo agravamento da crise sanitária. O pedido aos especialistas foi aprovado na sessão da CPI do senado Federal na semana passada.

 

EVIDÊNCIAS

As investigações do Senado federal por meio da CPI têm se concentrado em provar o atraso deliberado na aquisição de vacinas e a promoção absurda da ineficaz cloroquina para tratamento precoce da covid 19. Ao mesmo tempo também investiga a existência de um “gabinete paralelo”, que se opunha às vacinas, apostava na cloroquina e era contra medidas preventivas populacionais. Dentre as barbaridades patrocinadas por esse “gabinete paralelo”, tendo com o porta voz o próprio Presidente Bolsonaro, foi disseminar tantas barbaridades, dentre elas o que denominaram como “imunidade de rebanho”, tratando pessoas como se fossem gados. Outra questão que está na ordem do dia, que demonstra claramente a falta de uma política séria de enfrentamento da pandemia pelo Governo Federal, foi não propor a testagem das pessoas, algo que foi primordial na China, por exemplo, para organização e mobilização da própria população em processos de prevenção. Estudos científicos já provaram que existe uma forte associação entre o volume de testes realizados e o controle da transmissão do coronavírus nos países. No fim do ano passado a pesquisa Pnad Covid-19, do IBGE, mostrava que pouco mais de 10% da população tinha feito algum teste de covid. Além da baixa cobertura, as pessoas negras e pardas e aquelas com menor renda familiar tiveram muito menos acesso a testes do que o restante da população. Evidências não faltam para provar que, além de não coordenar ações em prol da prevenção da pandemia, o Presidente Bolsonaro e o Governo Federal agiram de forma negligente para promover aglomerações e desrespeito às normas básicas propostas pelas vigilâncias sanitárias dos Municípios e dos Estados. Governadores e Prefeitos salvaram o país de uma barbaridade e um cataclismo muito maiores pelos quais ainda estamos atravessando.  

 

CORRUPÇÃO PARALELA

Outra evidência que se configura é o papel do Presidente da República como garoto propaganda de grandes laboratórios. A farmacêutica EMS informou à CPI da Covid que faturou 142 milhões de reais em 2020 com medicamentos do chamado “kit covid”, divulgados pelo governo federal como uma solução para o enfrentamento da pandemia, mas comprovadamente ineficazes. O valor é oito vezes maior do que o registrado pela empresa no ano anterior. As informações são do jornal Folha de S.Paulo. Com a marca de R$ 71,1 milhões em vendas, a ivermectina foi responsável por metade do faturamento da EMS. Isso depois de ter rendido um faturamento total de R$ 2,2 milhões em 2019. A azitromicina, outro medicamento que faz parte do kit, e igualmente ineficaz contra a covid, somou mais R$ 46,2 milhões aos cofres da EMS no ano passado. As informações sobre a receita dessa indústria farmacêutica com o “kit covid” constam de documentos enviados à CPI pela própria farmacêutica, de propriedade do bilionário Carlos Sanchez, o chamado “rei do genérico”. Já provado nos autos da CPI que a EMS contou com ajuda diplomática do governo de Jair Bolsonaro para importar insumos da Índia para produção no Brasil do composto ineficaz vendido como remédio contra a covid. Mensagem oficial do Ministério das Relações Exteriores, também em posse da CPI da Covid, revela que o próprio presidente teria atuado como lobista.

 

EM PENÁPOLIS

Em nossa cidade, na sexta-feira, registrava a marca de 216 penapolenses que perderam suas vidas devido à infecção do coronavírus.  Homens e mulheres de todos os bairros da cidade, empresários, trabalhadores, médicos, comerciantes, comerciários, funcionários públicos, donas de casa, aposentados, todos e todas que poderiam estar com suas famílias, mas foram, em sua maioria, sem sequer uma despedida em velório. 216 vidas que não conseguiram completar seus sonhos e projetos com sua família e na sua cidade. Registramos aqui nossa consternação e os nossos sentimentos às famílias e aos amigos enlutados. Até aqui uma certeza: ou a sociedade civil, os Poderes Públicos e cada pessoa tenham a consciência de que podemos fazer mais e melhor na prevenção, ou ainda continuaremos a contar os nossos mortos infectados por esse traiçoeiro coronavírus. É isso.

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